quinta-feira, julho 11

Homens e Rochas



Estivemos no Anhangava em um domingo de sol (raros no mês de junho) e fomos para o Setor Capitais. Esse setor se encontra acima do lance maior de escadas a esquerda após a primeira rampa, é um pouco isolado e pouco frequentado, suas vias que chegam até 30m são predominantes na técnica de aderência e sua graduação a maioria de IV e V graus, com uma pequena exceção de uma das vias mais recentes que tem um grande teto com graduação em VIIc.
É um ótimo lugar para os iniciantes ou para quem quer apenas curtir um visual sem grande comprometimento.
 
 
Ana Paula, Ceunei Simão, Karine Martinato, Reymondy Ansai, Júlio Nogueira e Roberto


A via que eu acho a mais bacana do setor, tem sua graduação em Vsup e um nome muito curioso "Eu Sou a Verdadeira Mery Poppins", foi conquistada em 1994 pelo França (Marcos Valerio França) e meu amigo Castor (Leonardo Bonato).  Ela até é um pouco diferente das restantes, pois tem lances mais esportivos e aéreos e não só aderências como as outras. Meus amigos tiram varias fotos e resolvi posta-las aqui.

Natural no crux da Mery Poppins Vsup
 
Cadu na saída da Mery Poppins


Natural e Cadu 


Eu sou a verdadeira Mary Poppins Vsup

sexta-feira, julho 5

Rodrigo Raineri No teto do Mundo



Estive na palestra do Rodrigo Rainere em Curitiba,  dando uma palhinha para nós de suas escaladas no Everest e Aconcágua. O evento foi promovido pelo CPM (Clube Paranaense de Montanhismo) e pela Território. O cara é tão gente fina que ele nem cobrou sua palestra para nosso publico de Curitiba.
Já tinha comprado seu livro a um ano atrás e lido inteiro em poucos dias. Esse livro já era esperado por muitos montanhista, pois ele e seu amigo Vitor Negrete já falecido no Everest ficaram muito conhecidos após escalarem a parede sul do Aconcágua.

Parede Sul do Aconcágua (A Sentinela de Pedra)

 
Também tivemos um pequeno discurso do Vitamina, esse é a figura mais conhecida do nosso Montanhismo Paranaense ou como ele prefere dizer Marumbinista Paranaense. Seu discurso foi muito divertido e instrutivo, pois ele mostrou e valorizou nossos montanhistas e empresas Curitibanas (todos nascidos de ex filiados do CPM), empresas como a Altiseg (cursos e equipamento de segurança), Bornier (equipamento de segurança), Casa do Montanhismo (loja), Acampar (loja), Mont Blanc (mochilas), Snake (calçados) e montanhistas como o Waldemar Nicleviz, Chiquinho, Bito Meyer, Leonel Mendes, Dubois, Juquinha,  Nativo, Belê,  Dalinho, Julinho (Baitação do Anhangava) fizeram e fazem ainda a história do montanhismo Brasileiro.
Também tivemos um discurso do Farofa, autor do livro Marumbi que para mim é a Biblia do montanista paranaense.

 Vitamina (Henrique Paulo Schmidlin) , Rodrigo Raineri
e Farofa (Nelson Penteado)

A Bíblia dos Montanhista Paranaenses

 
Ver o Rodrigo falando do Everest e de sua escaladas no Aconcágua parecem até fácil e claro que só aguça nossos sonhos de quem sabe um dia ir para lá.
No seu livro que é uma autobiografia, conta desde da sua faculdade aonde começou a sonhar em viver de montanha e do esporte até o que é hoje sua empresa a qual já fez expedições pagas ao Everest. Faz um relato detalhado de suas expedições ao Everest e também a Parede Sul do Aconcágua. Infelizmente um dos motivos que na época foi muito divulgado essa escalada no Aconcágua foi porque em temporadas anteriores o Mozart Catão (primeiro brasileiro junto com o Waldemar a escalar o Everest) morreu tentando escala-la, mas por causa de uma avalanche ficou por lá junto com mais Othon Leonardos e Alexandre Oliveira. Apesar desse fato acabar ajudando ao Rodrigo e Vitor a ficarem sendo mais conhecidos, eles nunca exploraram isso e pouco mencionam  esse fato no seu livro, pois eles acabaram cruzando com os seus cadáveres em sua escalada.
 
Mozart Catão no cume do Everest
 
 
No evento que reuniu umas 200 pessoas estavam vários montanhistas de todos as gerações. Acabei encontrando o meu amigo Serginho o responsável por me mostrar o montanhismo e me vender os meus primeiros equipos para escalada. Fazia muitos anos que não nos encontrávamos, eu continuo com minha paixão pelo montanhismo e ele hoje é praticante de Paraglider.
 
Farofa discursando
 
 Rodrigo Rainere
 


 Sergio e Roberto

 

terça-feira, junho 25

Montanha para todas as Idades

Fogueira na Fazenda do Dilson

A Serra do Ibitiraquire é simplesmente maravilhosa e eu não me canso de caminhar por lá. Caminhando pelas mesmas trilhas ou até acampando um só noite na Fazenda do Dílson já me satisfaz.
 Do cume do Caratuva
Itapiroca, Tucun e o Camapuan

 As placas do Ciririca

 Pico do Paraná visto do Caratuva


 Das escarpas do Caratuva a Represa do Capivari


 Cachoeira na Fazenda do Dilson

Mas esse ano tive a oportunidade de subir o Camapuan  com minha filha Pamela de 13 anos e meu sobrinho e amigo Cadu  (Carlos Eduardo) 16 anos. Minha filha sempre foi comigo para montanha e com apenas 3 anos já fez um rapel no Anhangava (alias nesse dia a Roberta Nunes estava lá e ficou encantada com minha filhota já na montanha), mas o tempo vai passando e ela acabou sempre preferindo mais um shopping do uma ralação na montanha.

 Fazendo um Rapel no Setor 1 São Luiz do Purunã

Pamela com 8 anos no Setor 1

                                                                            
 Pamela  na Via José Peon 3grau no Anhangava



Eu e Pamela com 4 anos no Canyon do Guartelá
  
Foi difícil convence-la a subir uma montanha com uma caminhada mais exigente e tive que ganhar uma aposta para conseguir isso. Acabei escolhendo leva-la a montanha a qual eu acho a caminhada mais leve e com um visual mais incrível da região o Camapuan. Alias a intensão era chegar ao Tucun, mas ela realmente não aguentou o tranco, pois até o Camapuan levamos 3 horas ( o meu melhor tempo foi 1:25hs). E ficamos curtindo um visual enquanto o Cadu e Raymundy foram até o cume do Tucun.
 Cadu, Pamela e Reymondy na ultima rampa de acesso ao cume


 Eu e minha Filha

 Pamela e Cadu
 Pamela Domingues Moreira
 Pamela, eu e o Reymondy

 Tucun e ao fundo o Itapiroca

 Cume do Camapuan

Pamela 13 anos e Cadu 16 anos
Cume do Camapuan
 Cadu 10 anos e Pamela 7 anos
Acampando no cume do Anhangava

Pamela e Eu a 6 anos atrás no cume do Anhangava

Escaladas de Verão

Depois de alguns meses sem escrever nada, por falta de tempo e ânimo,  estou aqui novamente.  Apesar de não ter feito nada de impressionante e também de não estar planejando nada de especial para esse ano, não deixei de dar minhas caminhadas e escaladinhas por aí. Novamente este ano voltei a ter lesões repetitivas que acabam por virar tendinites e assim me afastam da montanha e dos meus treinamentos em academia.
 
 Treinando na Via Aventura
 
 Escalando no Setor Professores no Anhangava
Cadu na Parece Mas Não É (6a) e  Natural na Professores (6c)
 
 
 
 Escalaminhada no Campo das Panelas no Anhangava -
Natural, Reymundy e Cadu
 
 Rapel na Imposto de Renda  no Anhangava

 Cadu na via Bocó 5c no Setor 1 de São Luiz do Purunã
 
 
No verão aproveitei para ir a praia com a minha família, mas sempre pensando em lugares que posso escalar ou caminhar. 
Estive em São Francisco do Sul que tem vários setores de escala para todos os gostos, desde os bombásticos boulders (nas praias) a escaladas mais tradicionais com varias cordadas (Morro da Cruz). A região conta com um guia de escalada bem completo e fácil de encontrar.
 


  Setor Prainha  só  Boulders
 
Mauricio na Rouba Dedo 7b
  
Natural na Via Mister Magoo 4 
 
Escalei em São Francisco um setor  mais afastado chamado de Paredão dos Efeitos, mas infelizmente não tirei foto nenhuma.
Também em Santa Catarina passei o ano novo em Canto Grande na mesma região de Bombinhas, com dois grandes setores de escalada o Mirante 360 e o Morro do Macaco. O mirante  é incrível pois o acesso é facílimo com uma caminhada de minutinhos, escaladas do 4 ao 9 graus e um visual alucinante da região. Já no morro do Macaco fica as vias mais tradicionais e com um comprometimento maior de quem vai desafia-las. Sem contar que tem varias opções de caminhadas no local .
 
 Morro do Macaco

 Morro do Macaco
Vista da Baía de Zimbros na Via Boi Nos Aires 6b

 

Mirante 360
Escalando em solitário na Encolhedores de Cabeça 6sup


 Mirante 360
Ricardo Blitzkow e ao fundo o Baía de Zimbros e Praia de Mariscal

Mirante 360

 

terça-feira, dezembro 4

Monte Crista



Monte Crista visto da BR 376

Já faz algum tempo que penso em ir para essa montanha, pois é a  mais popular da região de Joinville e Garuva. Tinha ouvido muito sobre ela e por ser bem visível da estrada sempre passava por ela e desejava conhece-la. Seu cume esta a 940m e a sua trilha começa a menos 20m de altitude.
No feriado da Republica, planejei ir no sábado com meu sobrinho Carlos Eduardo Senra e meu primo e atual companheiro de empreitadas Reymondy Ansai Gabriel. A idéia era ir a tarde caminhar até o cume para passar a noite e voltar pela manhã já pensando em almoçar na estrada para Curitiba.
O acesso a trilha começa por uma ponte pênsil pertencente ao Sr. Ari que  cobra uma taxa para o estacionamento e para passar pela ponte. Após alguns minutinhos de caminhada você tem que atravessar o rio novamente, não é fundo mas tem que tirar as botas para atravessa-lo.


 
Inicio da Caminhada, travessia de uma ponte pênsil

 
Segunda travessia do Rio (tem que tirar as botas)

Após o rio a caminhada é bem tranquila sem grandes inclinações, bem marcada e poucas bifurcações (aliás sempre a direita). Passamos por um grande trecho conhecido como saboneteira aonde o terreno tinha muito barro e muita erosão, fazendo a trilha bem larga em alguns pedaços. Após umas 2 horas chegamos na trilha colonial, toda calçada similar a nossa trilha do Itupava. Aliás, pesquisando sobre essa trilha ela era um antigo acesso dos índios do litoral ao alto da serra do Quiriri, que na época do império foi calçado para facilitar o acesso das pessoas e animais. O calçamento esta muito bem conservado e ele vai até quase o cume do Monte Crista.

Trilha colonial da época do império


Um Mirante a poucos metros do cume
 
Estávamos carregados e a única intenção era chegar antes do sol se pôr.  Chegando bem próximo do cume tem uma bifurcação que leva a uma cachoeira e grandes clareiras para acampar. Como nossa intenção era a montanha e não conhecer cachoeiras, subimos direto ao cume. Levamos quase 5 horas para subir com algumas paradas para descansar, pegar água e curtir um visual. Vimos o pôr do sol e ainda deu tempo de montar o acampamento.


 
Reymondy e Cadu no cume
 
 

Amanhecer no Cume
 
 
Nosso jantar foi lasanha. Já tinha visto essas lasanhas no mercado, elas não precisam ser refrigeradas e são facilmente preparadas em banho maria (muito bom). Estávamos cansados e dormimos logo.
 
A noite chuviscou  muito, mas ao amanhecer a montanha nos presenteou com uma vista linda. Dava para ver Joinville o mar e praias como Itapuá, e claro a serra do Quiriri. Curtimos o visual, tiramos varias fotos e sem demorar já desmontamos o nosso acampamento. Fiquei um pouco decepcionado de ver a degradação na trilha, no cume e nas clareiras. Era lixo por tudo (até sapatos e calças) e toda clareira tinha marcas de fogueira (no montanhismo moderno isso é impensável). Lamentável e isso que eu nem fui para o lugar preferido desses pseudos montanhistas (as cachoeiras).
 

Serra do Quiriri
 

 
Camping no cume
 

 
Reymondy
 


 
Carlos Eduardo (Cadu)
 


A pedra "o vigia" no cume


Caros amigos acho que não vou postar mais nada este ano, por isso eu desejo um Feliz Natal e um Prospero Ano Novo.
Que o ano que vem possamos ainda mais escalar, caminhar e respeitar nossas montanhas.