sábado, maio 5

Bate e Volta no Pico do Paraná

 Pico Paraná visto do A1
No feriado do trabalhador, já com nossas temperaturas mais baixas começamos a entrar na melhor fase de subir nossas montanhas. A previsão não estava claro, falava em tempo nublado com possibilidade de chuva, mas também geada cedo. Geada normalmente significa tempo limpo, sol e muito frio. Apostando nisso levantei cedo e fui para a serra.
O dia amanheceu lindo com o céu azul e muito limpo ao ponto que de Curitiba você já via claramente o Pico do Paraná e serra. Chegando na fazenda  do Dilson ele já me disse que a pouco a temperatura estava 2 graus. Comecei a minha caminha as 8:30hs e vi na lista do Dilson que havia pelo menos 4 grupos que tinha chegado antes de mim entre as 7:00 e 8:00hs.
No alto do Getúlio com o Caratuva e o Itapiroca a frente
As escadinhas um pouco antes do A2

A subida foi tranquilo com o tempo como estava "sol e frio" e o mais importante sem chuva. No caminho fui passando os grupos que chegaram antes de mim e em 3:30hs já estava no cume e  antes de todos. Claro que por estar sozinho sempre é mais rápido, pois em grupos sempre tem alguns que não estão condicionados a vencer a dura subida. Achei que fiz em um tempo bom, mas Waldemar Niclevicz sobe o PP em 2:15hs, mas considerando que a média de subida fica em torno de 5:00 horas fiquei contente com meu desempenho.

No cume do PP a vista do Ibitirati
Auto retrato no cume do PP


Fiquei durante uma hora curtindo o cume, estava lindo com um visual de toda serra até a baía de Paranaguá. Depois desse descanso desci em 3:50hs até o Dilson. Abaixo uma fotos do cume.

Tucum
Ciririca
Taipabuçu e o Ferraria
A Baía de Paranaguá
A impresionante Parede do Ibitirati

segunda-feira, março 26

O Campo Escola "Anhangava"

Anhangava sempre foi o campo escola  para todo curitibano que almejava em ser escalador de rocha, apesar que hoje com as academias e a forte tendencia e preferência dos escaladores a escalada esportiva, não é mais uma unanimidade no esporte.
Com suas centenas de vias para escalar que vão desde  vias de III grau ao IXgrau com boulders e até vias longas com até 100m, predominando sempre vias mais de agarras e grandes aderências é um otimo lugar para começar a escalar. Costumo dizer que ir para São Luiz do Purunã volto com os braços doloridos (por conta de vias predominantes  esportivas negativas ) e o Anhangava volto com as perdas doloridas ( por mais vias tradicionais positivas).

 Roberto e Pamela (7 anos) na José Péon III grau
 Pamela na parada da Péon

Diferente dos setores mais esportivos (normalmente em falésias com acessos curtos) o Anhangava é uma montanha, com uma trilha bem na serra da Baitaca e um visual impressionante da nossa Serra do Mar. No cume com uma caminhada de 1 hora você pode apreciar o Marumbi, Pico do Paraná, Caratuva, Ciririca e o Cotia.
Trazer crianças é fascinante, pois elas tem um grande aperitivo do que é subir uma montanha, além de que tem ótimas vias para iniciantes. Um ponta pé inicial para os nossos futuros amantes do esporte e defensores de uma cultura de vida.

Na Pedra do Almoço (sentados) Gian Stahlke sua mulher e filho (5anos), eu com minha filha Pamela e Mauricio Monteiro

 Yasmin (3anos)

Vanessa, Yasmin e Natural

Os setores mais indicados para quem esta começando é o Setor Interiores (setor relativamente novo aberto em 2006) com varias vias de IV grau em aderencia e também o Setor Capitais que é o mesmo estilo só com vias mais cumpridas.

 Joãozinho (13 anos) no Setor Interiores na via Rancho Fundo IV grau


 Cadu (15 anos) na Transversal superior III grau em móvel


 Cadu na Solange V grau

 Zé  (15 anos) na Andorinha III grau no setor da pedra do almoço


 Cadu na Fissura de Mão da Caveran Vgrau
 Joãozinho na parada da Andorinhas III grau
Natural e Cadu na Escoteiros VI grau

sábado, março 24

Tendinite na Escalada

Esses últimos meses foram uma tortura para mim, acabei tendo varias lesões que me afastaram do meu constante treinamento para escalar e caminhar. Mas o pior de todas foi a mais temida de todo escalador a "tendinite".
Em setembro eu estava treinando na Academia, depois de correr 5km e ter escalado umas 2 vias, guiando um 5sup peguei mal na agarra e acabei forçando apenas um dedo ( o anular da mão direita) e na hora tive um deslocamento nas juntas com grande estralo e uma dor absurda. Isso já aconteceu outras vezes comigo e apesar da dor não achei preocupante e já fui para o tratamento normal dessas lesões "gelo". Passaram 3 dias e aquela dor não passava e mal conseguia fazer pequenos esforços como desenhar no computador (sou designer), foi então que fui ao um médico ortopedista especialista em mão. Ele era cirurgião e falou que eu tinha um rompimento parcial do tendão e teria que tratar com compressas quentes, antibióticos e uma injeção de corticóide, chegou a me assustar dizendo que se não melhorasse em um mês ele queria operar a minha mão e mexer num tal "túnel do carpo". Esse tipo de problema também afeta muito profissionais que trabalham muito com o mouse e muitas vezes só com uma cirurgia alivia a dor cronica.
Me tratei com ele durante um mês e como minha melhora foi minima, achei melhor procurar outros profissionais para me avaliar.





Realmente a lesão causou uma inflamação cronica ao qual popularmente chamam de Tendinite. Um amigo e cliente ficou sabendo do meu problema e me ofereceu fazer algumas aplicações de laser no local da lesão. Fiz algumas aplicações com ele e também comecei a fazer fisioterapia, ultra som, ondas de choque, mas depois de 2 meses o resultado foi pequeno e lento e eu já estava irritado com a situação.
Procurei outro médico e ele me propôs fazer uma infiltração de corticóide direto no tendão, mas teria que ficar pelo menos 45 dias sem fazer esforço algum. Estava tão ansioso para me curar que fiz a aplicação na hora e  foi muito doloroso, fui a academia e tranquei minha matricula por 45 dias e fiquei de molho todo esse tempo.
A infiltração foi meio radical, mas realmente me curou. Voltei a treinar, mas depois de 5 meses parado e ainda com medo de ter outra lesão não tenho feito grandes coisas.



Aproveitei esse tempo para fazer algumas caminhadinhas, ensinar meus sobrinhos "Cadu" e o "Joãozinho"  a escalar e até levei amigos e parentes para conhecer as montanhas e a escalada. Quando estou treinando  a escalada ou até o trekking não tenho paciência para ensinar ou acompanhar pessoas inexperientes. Foi um bom momento para isso.



quinta-feira, janeiro 5

Piramide Blanca

 Maciço do Condoriri
(esquerda p/ direita: Tarija 5240, Piramide Blanca 5230, Ilusionita 5150, Ilusión 5330 )


Continuando minha escalada, após ter escalado o Cerro Áustria com o Rodrigo, tive um dia de descanço e nesse dia  ele estava muito mal, com muitas dores e já era visto que ele não iria mais escalar. Mas ao final da tarde ele se animou e falou que talvez iria, com isso acabei não me planejando pra escalar com outras pessoas.
Durante a noite ele gemia e se mexia muito, ali percebi que eu não teria ele comigo. Comecei a pensar o que fazer, pois no dia apos aquele já tínhamos contratado mulas e transporte e eu não teria outra chance de escalar o Tarija. Naquela altura qualquer montanha que eu escalasse estaria ótimo, mas não escalar nenhum seria um fracasso total para mim.

Essa noite foi longa, pois não consegui dormir pensando o que fazer. Já escalei muitas vezes sozinho e  havia decido que se eu não encontrasse ninguém iria escalar o Cerro Tarija em solitário, pois sua trilha na geleira estava bem marcada. Sabia dos riscos, tenho muita experiência em trekking e escaladas em rocha, mas em gelo sou iniciante e mesmo uma travessia em geleira seria muito arriscado. Eram 6:00hs quando levantei e fui a volta do acampamento para ver de se tinha outros escaladores se preparando para escalar, mas não vi nada significante. Enquanto isso preparei um café e deixei minha mochila com meus equipos já preparado.


Geleira do Nevado Tarija, Piramide Blanca a direita


Estava tenso e falei com alguns escaladores e ninguém estava indo para onde eu queria. Até que vi duas pessoas passando pelo meio do acampamento com mochilas, nem pensei muito comprimentei-os e fui logo perguntando para onde iam. Era um homem e uma mulher e ele falou que estava indo para o Cerro Ilusión. Na hora não lembrei exatamente onde era e nem se era uma escalada muito técnica, apenas lembrei que era para o lado do Tarija e o Pequeno Alpamayo e isso era ótimo. Então sem muitos rodeios perguntei se poderia ir com eles e ele prontamente falou que não haveria problema. Ele falou para mim ir até a base da geleira que eles me esperariam lá.
Fui rapidamente pegar minhas coisas e colocar agua no meu camelbak, passei na barraca perguntar para o Rodrigo se estava tudo bem e avisar ele aonde eu estaria. Logo já estava na trilha para a base da geleira, caminhei quase correndo para alcança-los antes dela, mas o ritmo deles era muito bom e quando cheguei a base eles já estavam lá.

 Foto tirada pela manhã


Eu estava bem aclimatado e rapidamente me equipei me encordando a eles. Ali fiquei sabendo o nome dele Hugo Ayaviri  um guia boliviano e ela  Katherine uma australiana cliente dele. Hugo se comunicava bem comigo, mas ela só fala o inglês e não entendia nada de português ou espanhol. meu inglês é péssimo e falei poucas palavras com ela, mas fiquei sabendo que ela já havia escalado o Aconcágua 6962 (maior montanha das Américas),  o Elbrus 5642 (maior montanha da Europa), Ilhimani 6462 (maior montanha da Cordilheira Real e cartão postal de La Paz) e varias outras montanhas. Percebi que estava em ótimas mãos, mas será que conseguiria acompanhar o ritmo deles, pois os dois eram muito experientes.


Começando a subida da Geleira


Geleira 


Tínhamos que subir quase toda a geleira do Tarija 5240 para virar totalmente a direita e entrar numa canaleta que ia afunilando e ficando mais ingrime até chegar no col entre o Diente 5200 e a Piramide Blanca 5230. Piramide Blanca !!! Eu não estava indo para o Ilusión! Pois bem, achei que tinha escalado o Ilusión porque tanta a Katherine como o Hugo falaram que era o Ilusión, mas logo que cheguei em Curitiba olhando os mapas a localização não batia com o lugar que eu havia escalado. Achei que eu estava errado e por isso o nome era Ilusión, mas agora que estou postando a viagem pesquisei mais a fundo e realmente a montanha é a Piramide Blanca. Que erro!! Será que o Hugo não conhecia, mas tudo bem vamos continuar o relato.
Na subida que leva ao Tarija foi muito tranquilo a geleira não chega ter inclinação significativa e suas gretas a maioria cobertas ou pequenas fendas que não passavam de 20cm. Mas quando caímos totalmente para a direita a coisa complicou, a neve estava muito alta, quando pisávamos ela chegava na altura dos joelhos, aumentando assim o esforço para caminhar. Essa montanha é menos frequentada do que o Tarija e o Pequeno Alpamayo e não havia marcas de pegadas, assim deixando mais perigoso, pois ali havia gretas enormes.



 Rota já para a Piramide Blanca


 Enormes gretas nos rodeavam

 
Depois de 4 horas já vencido pelo cansaço


Chegamos a passar no lado de umas gretas abertas muito grandes, mas nosso objetivo era subir rápido e mal parávamos para olhar e tirar fotos. Os dois tinham um ritmo muito forte e ao longo da escalada fui perdendo esse ritmo e fiz com que eles parassem umas duas vezes.
Essa canaleta foi inclinando até o ponto que eu olhei para cima e estava o Hugo já de frente para o gelo cravando seu piolet e as pontas de seus grampons para escalar a parede. Na hora fiquei assustado com isso, pois eu não esperava essa inclinação e não tinha nunca feito isso. Mas não tive tempo de pensar muito, pois eles não paravam nem um pouco e logo eu estava fazendo a mesma coisa. Não achei difícil e rapidamente venci aquela parede com facilidade. Por ser escalador de rocha achei até mais fácil, pois no gelo temos os grampons e os piolets como apoio e na rocha só as mãos.

Ali já tinha ficado muito satisfeito e empolgado com a escalada, mas estava muito cansado e eles perceberam meu estado. Já estávamos escalando a geleira a quatro horas e  chegando no col o Hugo parou e começou a cavar um buraco na neve. Nesse momento vi que esse buraco era para mim, minha escalada acabaria a pouco metros do cume. Estava muito cansado e eles gentilmente deixaram ir com eles, acabei aceitando a situação sem questionar.

 Vista da Piramide Blanca  abaixo a  geleira e acima o Huallomen 5463m 

A Piramide Blanca nos seus trechos finais

 
Fiquei sentado ali, encima da minha mochila apreciando o visual e por varias vezes tirei as luvas para tirar fotos. Minha agua já tinha congelado e eu apenas tinha levado chocolates e barras de cereal para comer. Quando chegamos ali o tempo estava fechado e o Hugo até comentou que seria o motivo para me deixar ali, mas logo que eles saíram o céu de repente limpou e ficou azul, lindo!!
Fiquei esperando eles durante mais uma hora pelo menos e quando chegaram descemos imediatamente. Na descida fiquei pensando naquele trecho que tínhamos escalado e achei que iriamos rapelar. Chegando nela a Katherine se arrumou e Hugo deu uma segurança simples de corpo. A parede tinha uns 50 metros e ao invés de rapelar optaram por desescalar a parede. Eu estava no meio da corda e também já passei para parede e comecei a descer. A descida sempre é mais difícil e perigosa e para piorar a Katherine descia muito rápido e dessa forma varias vezes me puxou para baixo fazendo com que eu escorregasse alguns centímetro. Tive que gritar Stop para ela parar de fazer aquilo, mas acabou ocorrendo bem.
No trecho até a base ela parecia uma maquina, num ritmo como da subida, ela não parava em nenhum momento para descaçar. Até o Hugo estava impressionado com ela e ele me olhava e falava que ela era a Mulher Maravilha e dávamos risadas disso. Quando chegamos na base e nos desencordamos, falei para eles que queria ir com calma para o acampamento e que encontraria eles lá.

 Pequeno Alpamayo visto da Piramide Blanca


 Katherine (australiana) e Hugo Ayaviri (guia boliviano)


Eu esperando a volta de meus companheiros


Esse trecho até o acampamento é de uma hora, mas nem sei quanto tempo levei. Na minha ânsia de acompanhar eles no mesmo ritmo acabei me esforçando de mais e aqueles trechos finais foram uma tortura.
Chegando perto do acampamento as primeiras barracas eram dos Brasileiros liderados pelo David Marski. De longe vi que tinham umas 3 pessoas ali e eles também me viram e um deles começou a falar "é brasileiro, é brasileiro" esse era o David. Ele foi me recepcionar tirou minha mochila e me levou para a barraca refeitório deles. Eu estava preocupado com o Rodrigo mas o David falou que eles estavam cuidando dele e já tinham feito algumas visitas para ele e estava tudo bem.
Estava muito exausto, nunca tinha ficado daquela forma e aquela visita a eles foi ótimo. Tomei sopa quentinha com chá e me senti incrivelmente recuperado e animado, foi muito bom parar ali.
Bom, depois disso passei alguns sustos com o Rodrigo com esta descrito no meu post anterior sobre Condoriri. Também tive congelamento leve de alguns dedos da mão e isso prejudicou minha viagem, pois eu iria escalar o Huyana Potosi com seus 6080m. Essa montanha ficou para a próxima viagem!!!

 
Montanhas de Condoriri

Algumas dicas para você que quer ir para lá é entrar no site do David Marski, pois atraves dele que peguei as informações necessarias para minha viagem www.marski.org .

Guia de motanha:
Javier Carvalho (já escalou o everest) jcarvallo_contreras@hotmail.com  fone: 591-2-5281054
Hugo Ayaviri   (UIAGM ) - hugoayariri21@hotmail.com

Hotel Economico:
Hotel Torino - www.hoteltorino.com.bo - fone: 591-2-2406003

Loja de Equipos:
Tatoo - www.bo.tatoo.ws 

Aluguel de Equipos:


segunda-feira, dezembro 19

Cerro Austria

O Acampamento Base e ao Fundo o Cerro Áustria

 
Já estávamos no acampamento base a 3 dias, o local estava coberto de neve pelos 5 a 6 dias de tempo ruim que havia feito. A Bolívia nessa época é conhecida por ter tempo bom com sol e a principio não tivemos essa sorte. Nesse dia até fizemos uma pequena caminhada de uns 50 minutos até a base do glacial do Tarija, para aclimatar e treinar um pouco travessia em geleira.
Foi o dia mais frio que passei na minha vida, estava -15 graus mas ventava muito e caia uma fina camada de neve aumentando a sensação térmica para mais de -20 graus. As extremidades da mãos e a pequena parte do rosto que ficavam expostas doíam. Quando chegamos na base do glacial o esforço para colocar a cadeirinha e o grampon na bota (suporte pontiagudos p/ escalada e caminhada em gelo)  era um absurdo, mas eu estava determinado a não desperdiçar o dia ficando sem fazer nada no acampamento base. Depois de me preparar o Rodrigo chegou tão mal que nem consegui se abaixar para calçar os grampons e acabei tendo que colocar para ele os grampons e a cadeirinha.
Subimos um pouco o glacial e fixamos as cordas com parafusos de gelos e treinamos um pouco a subida e técnicas de resgate com cordas fixas. Realmente estava muito frio e logo descemos e voltamos para nosso acampamento base. O Rodrigo ficou assustado com o frio extremo que passamos e a noite chegou a comentar em desistir da escalada. Acabei dormindo desanimado pelo comentário dele.

 
Roberto (natural) no glacial do Tarija fixado em uma equalização de parafusos de gelo

 
No dia seguinte foi incrível, amanheceu com o céu aberto e raios de sol refletiam nas pequenas extremidades dos picos em nossa volta. No nosso lado uma expedição liderada por Javier (escalou o Everest) e composta por vários Suíços se preparavam para subir. Já estávamos bem amigos de Javier e ele logo nos convidou para se quiséssemos acompanha-los na escalada ao Cerro Áustria eramos benvindos. Eu sabia que era uma escalada fácil, pois não tinha trechos técnicos e seu maior desafio era sua altitude de 5330m, mas dias anteriores aquele já tínhamos falado com pessoas que subiram com mal tempo e não haviam conseguido chegar no cume e isso deixou-nos preocupados.

 Agulha Negra 5290


Grupo de suíços escalando

Um pouco antes da Canaleta


Caminhávamos num ritmo bom e sempre avistando o grupo de Suíços ao qual queríamos manter uma distancia razoável para não incomoda-los. Mas depois de uma hora essa diferença foi aumentando pois o Rodrigo não estava conseguindo acompanhar meu ritmo de caminhada. Eu me sentia muito bem e queria subir cada vez mais rápido, mas já tinha decidido subir com Rodrigo o tempo que fosse necessário a ele. Mas logo  sem perceber acabava me distanciando dele e eu parava e esperava ele se aproximar.
Fomos dessa forma até a canaleta. Vista lá debaixo essa canaleta parecia pequena, mas ao chegar nela vi que não seria mole, pois ela era enorme e o seu final ficava bem inclinado. Tinha muita neve e com o sol e muita gente passando foi derretendo e se misturando ao barro, virou um lamaçal escorregadio e perigoso.

 
A canaleta

 
Eu e o Rodrigo no meio do caminho ao fundo a Laguna Chiar Khota


 Rodrigo nos últimos trecho da Canaleta

Fui me distanciando do Rodrigo porque fiquei obstinado em chegar no final dessa canaleta e nem parava mais para esperar ele. Chegando lá encima fiquei aliviado de ter terminado aquele trecho. O visual era lindo, o local era um col e dava para ver o outro lado todo da montanha. Tinha também um lago e uma visão incrível da Cabeça Del Condor (5700m) e as montanhas ao seu redor.
Ali estava um guia boliviano e uma suíça esperando seus colegas, olhei para cima e já dava para ver o cume. Perguntei ao boliviano quanto tempo para subir e ele falou mais duas horas, achei estranho mas acreditei nele. O Rodrigo começava a chegar no final da canaleta e isso já faziam 4 horas que estávamos caminhando e fiquei preocupado com o horário. Quando ele chegou estava acabado respirando muito mal e já se jogou no chão. Deixei ele respirar um pouco e expliquei minha preocupação com o horário e falei para ele ficar ali enquanto eu subia até o cume, ele sem entender bem e ainda muito ofegante balançou a cabeça indicando concordar comigo. Nem pensei muito e comecei a subir rapidamente.


No col depois de 4horas de caminhada, ao fundo Cabeça Del Condor



Ala Esquerda 5532m e Cabeça Del Condor 5648

No caminho cruzei com Javier descendo com seu grupo de Suíços e conversamos um pouco. Javier é uma pessoa incrível com palavras confortantes e atenciosas ele conquista todos ao seu redor, fiquei muito feliz em conhece-lo. Ele deu vários toques de como caminhar e respirar para que a altitude não te vença na escalada. Logo venci os trechos finais os quais ficaram um pouco mais inclinado e com lugares bem expostos.
O cume era maravilho com um visual lindo da região de Condoriri e toda a cordilheira ao redor. Meu objetivo era ainda escalar mais uma montanha na região e depois o Huyana Potosi que era bem visível desse local.  Na sua aresta admirava suas encostas mais ingremes e as corniças que se formavam em suas extremidades.
Levei 40 minutos para subir esse trecho, bem menos do que tinham me informado logo abaixo. Não quis me demorar muito pois o Rodrigo me esperava no caminho, tirei umas fotos e fiz uns vídeos e logo já estava descendo.


 Abaixo Laguna Chiar Khota 4600m e ao fundo e no alto o Huyana Potosi 6080m


 As pedras indicam o Cume

Na descido depois de uns minutos escutei um grito:
"filho da p-, lazarento".
Que estranho isso! Eu procurava mais abaixo para ver quem era e porque gritava.
"filho da p- , lazarento, você não é companheiro..."
Bom!! Percebi que era para mim, o Rodrigo continuou sua subida e ficou revoltado por eu não ter esperado ele. Que vou falar agora?
"Rodrigo me desculpe! Avaliei mal a situação, me desculpa eu errei!"
Não quis deixar ele mais nervoso e esperei ele chegar em mim e subi com ele novamento no cume.
Lá tiramos mais fotos e eles fez alguns vídeos, chegou a pagar uma promessa e ficou pelado no cume para registrar para sua esposa seu feito. O Rodrigo não é montanhista e seu feito de subir em uma montanha com mais de 5000m foi emocionante para ele, exigiu esforço físico e muita força de vontade para chegar ali.


O meu auto retrato no Cume


O Rodrigo chegando no Cume

Descemos num ritmo bom, mesmo eu com uma dor de cabeça que me  infligiu após eu chegar ao cume e chegamos no acampamento base depois de 9 horas de caminhada.
O Rodrigo estava alegre e motivado para tentar outra montanha em minha companhia, apesar de estar já com dores que estavam me deixando preocupado. Mas essa historia vou contar no próximo post, OK.

Essa foto foi tirado por Artur Vieira (fotografo e amante das montanhas)