quinta-feira, maio 24

As classicas do Rio de Janeiro


Panorâmica do Rio de Janeiro de cima do Pão de Açucar

Todo montanhista paranaense quer escalar no Rio. Só de pensar que a cidade é rodeado de montanhas e trilhas é um prato cheio para conhecer e escalar por lá. As montanhas estão tão encravadas na cidade que os cariocas são conhecidos por não gostar de caminhar muito para escalar. Diferente de nós e até os paulistas que temos que caminhar muito para escalar.
Minha primeira visita ao Rio foi em 2007, após um período longo sem treinar foi visitar minha irmã que na ocasião estava morando por lá.
Minha intensão era escalar a famosa Italianos no Pão de Açúcar, mas como eu estava indo sozinho pensei logo em contratar um guia do Rio para escalar. Pelo site da federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro ( FEMERJ) www.femerj.org peguei alguns telefones de guias e contatei o pessoal da Companhia da Escalada www.guiadaurca.com e marquei minha escalada para a Italianos.

O Pão de Açúcar
Na realidade nem sabia quem iria escalar comigo e logo chega no estacionamento  o Flávio Dalfon , no momento nem me toquei quem ele era. Fomos conversando na trilha e logo falou que era casado com uma Curitibana a Cíntia. "A Cíntia" pô... na hora já me toquei e falei para ele que fui muito amigo dela em Curitiba, eu havia até falado com ela por telefone para contratar o guia e nem percebi quem era. Conheci a Cíntia na Associação dos Montanhistas de Cristo em 1996 e sempre ia a casa dela, naquela época ela era uma das principais responsáveis de uma revista chamada "Vertigem" e com muita custas eles mantiveram circulando dois anos (ela era semestral). Vejo que o "Fator 2"  que circula no Rio é a muito parecido com a Vertigem e provavelmente foi aonde tudo começou.  Lembro até que ela comentava sobre um amigo carioca (era o Flávio), mas depois perdemos contato e nunca mais vi ela. É... como esse mundo é pequeno!!

Revista Vertigem - Ainda tenho os 4 exemplares

 Primeira cordada da Italianos (5sup)

Fomos direto para base da Italianos e como o Flávio não me conhecia não me deixou guiar as primeiras cordadas, mas depois fui guiando até o cume. A Italianos são apenas duas cordadas de 5c grau , com lances em regletes bem bacanas, depois você faz uma transversal a esquerda saindo da aresta e passando a uma via chamada Secundo 4grau, tranquilésimo e ao total deu 5 cordadas. 
No cume minha família já me esperava, estava um dia maravilhoso: sol, cume,  família e reencontrando velhos amigos.

 A via Italianos segue por essa aresta no centro


 P2 da Italianos


Italianos

 Travessia para a Via Secundo (4grau)


 Escalar com visual assim só no RJ

 Guiando a 1 cordada da secundo (até aí quatro cordadas)


 Parada no grande plato antes da ultima cordada


Flávio Dalfon (meu guia) e Roberto.
Flávio é um dos escaladores mais influentes do Rio, conquistador de varias vias e o autor de livros e guias de montanha.


Morro da Babilônia, o local aonde sai o bondinho


Em 2008 resolvi voltar novamente para Rio, na ocasião estava mais treinado e já me arrisquei  fazer as vias em solitário. Primeiro fui para o Morro da Babilônia, ela faz parte do conjunto da Urca e é aonde sai o bondinho. É o campo escola da Região com vias muito fáceis e bem grampeadas, apesar de ser vias longas de  até 200m. Escalei um dia e entrei em duas vias, mas realmente não consegui identificar quais foram.

 Analisando qual via entrar, alias nem sei que via acabei entrando

Na P2 de umas das vias da Babilonia


Limpando a via (solitário)

Corcovado e Cristo Redentor, o ponto mais famoso do Rio

Após um dia de descanso foi para a via mais famosa do Rio a K2 no Corcovado. O Corcovado com o Cristo Redentor é o ponto turístico Brasileiro mais conhecido no mundo e também o mais visitado do Rio. Para chegar a base da via que fica já a 500m de altura, você tem que percorrer todo o caminho dos turistas que vão ao Cristo. Para quem quer apenas escalar essa parte é uma perda de tempo, mas necessária.
Fui de Van até uma parte da estrada e após isso percorri um trecho curto de a pé, pois os motoristas  falaram que não podiam parar no meio do caminho.

 Subindo o corcovado pela estrada

Quando entrei na trilha que dá acesso a base da via era um caminho sujo (lojas e lanchonetes encima do morro não cuidam muito de seus lixos) e estava cheio de teias de aranhas. Percebi então que estaria realmente sozinho naquele dia e isso me deixou um pouco preocupado, pois eu iria escalar em solitário e sem ninguém no local. A graduação no manual falava em 4grau e não representava dificuldade.

 A primeira cordada da K2

 Escalando em solitário


A primeira cordada era toda por uma fissura que você ia progredindo em oposição. No croqui falava que a via era grampeada, mas levei umas peças de "excentric" para reforçar minhas proteções. Isso foi ótimo pois sinceramente a graduação para mim era um 5grau e não 4grau como dizia. A via era realmente linda, com lances facéis mas ao mesmo tempo diferente do que eu estava acostumado. Na segunda cordada tinha um pequeno trecho molhado e saía em transversal, percebi que se eu decidi-se voltar rapelando seria muito arriscado. Então aí para frente só o cume era a minha saída.

 A via já equipada

 A vista na segunda cordada da k2


 Quase no final da via

A via tem 150m com 4 cordadas no total, mas como eu esta sozinho e eu mesmo tinha que desequipar a via, escalei 300m numa tarde. O visual é impressionante com uma via bem variada, tudo o que você precisa de uma escalada tradicional e clássica. E para recompensar no final você chega ao Cristo, tá certo que eu não fazia questão de ter que passar no meio de todos aqueles turista te olhando e perguntando como você chegou ali.
Faltou eu escalar na Pedra da Gavea a Passagem dos Olhos, mas na época me deixaram com medo de ir para lá sem companhia, ficou para próxima.

O Rio de Janeiro é realmente a "Cidade Maravilhosa"


Foto clássica no corcovado

sábado, maio 5

Bate e Volta no Pico do Paraná

 Pico Paraná visto do A1
No feriado do trabalhador, já com nossas temperaturas mais baixas começamos a entrar na melhor fase de subir nossas montanhas. A previsão não estava claro, falava em tempo nublado com possibilidade de chuva, mas também geada cedo. Geada normalmente significa tempo limpo, sol e muito frio. Apostando nisso levantei cedo e fui para a serra.
O dia amanheceu lindo com o céu azul e muito limpo ao ponto que de Curitiba você já via claramente o Pico do Paraná e serra. Chegando na fazenda  do Dilson ele já me disse que a pouco a temperatura estava 2 graus. Comecei a minha caminha as 8:30hs e vi na lista do Dilson que havia pelo menos 4 grupos que tinha chegado antes de mim entre as 7:00 e 8:00hs.
No alto do Getúlio com o Caratuva e o Itapiroca a frente
As escadinhas um pouco antes do A2

A subida foi tranquilo com o tempo como estava "sol e frio" e o mais importante sem chuva. No caminho fui passando os grupos que chegaram antes de mim e em 3:30hs já estava no cume e  antes de todos. Claro que por estar sozinho sempre é mais rápido, pois em grupos sempre tem alguns que não estão condicionados a vencer a dura subida. Achei que fiz em um tempo bom, mas Waldemar Niclevicz sobe o PP em 2:15hs, mas considerando que a média de subida fica em torno de 5:00 horas fiquei contente com meu desempenho.

No cume do PP a vista do Ibitirati
Auto retrato no cume do PP


Fiquei durante uma hora curtindo o cume, estava lindo com um visual de toda serra até a baía de Paranaguá. Depois desse descanso desci em 3:50hs até o Dilson. Abaixo uma fotos do cume.

Tucum
Ciririca
Taipabuçu e o Ferraria
A Baía de Paranaguá
A impresionante Parede do Ibitirati

segunda-feira, março 26

O Campo Escola "Anhangava"

Anhangava sempre foi o campo escola  para todo curitibano que almejava em ser escalador de rocha, apesar que hoje com as academias e a forte tendencia e preferência dos escaladores a escalada esportiva, não é mais uma unanimidade no esporte.
Com suas centenas de vias para escalar que vão desde  vias de III grau ao IXgrau com boulders e até vias longas com até 100m, predominando sempre vias mais de agarras e grandes aderências é um otimo lugar para começar a escalar. Costumo dizer que ir para São Luiz do Purunã volto com os braços doloridos (por conta de vias predominantes  esportivas negativas ) e o Anhangava volto com as perdas doloridas ( por mais vias tradicionais positivas).

 Roberto e Pamela (7 anos) na José Péon III grau
 Pamela na parada da Péon

Diferente dos setores mais esportivos (normalmente em falésias com acessos curtos) o Anhangava é uma montanha, com uma trilha bem na serra da Baitaca e um visual impressionante da nossa Serra do Mar. No cume com uma caminhada de 1 hora você pode apreciar o Marumbi, Pico do Paraná, Caratuva, Ciririca e o Cotia.
Trazer crianças é fascinante, pois elas tem um grande aperitivo do que é subir uma montanha, além de que tem ótimas vias para iniciantes. Um ponta pé inicial para os nossos futuros amantes do esporte e defensores de uma cultura de vida.

Na Pedra do Almoço (sentados) Gian Stahlke sua mulher e filho (5anos), eu com minha filha Pamela e Mauricio Monteiro

 Yasmin (3anos)

Vanessa, Yasmin e Natural

Os setores mais indicados para quem esta começando é o Setor Interiores (setor relativamente novo aberto em 2006) com varias vias de IV grau em aderencia e também o Setor Capitais que é o mesmo estilo só com vias mais cumpridas.

 Joãozinho (13 anos) no Setor Interiores na via Rancho Fundo IV grau


 Cadu (15 anos) na Transversal superior III grau em móvel


 Cadu na Solange V grau

 Zé  (15 anos) na Andorinha III grau no setor da pedra do almoço


 Cadu na Fissura de Mão da Caveran Vgrau
 Joãozinho na parada da Andorinhas III grau
Natural e Cadu na Escoteiros VI grau

sábado, março 24

Tendinite na Escalada

Esses últimos meses foram uma tortura para mim, acabei tendo varias lesões que me afastaram do meu constante treinamento para escalar e caminhar. Mas o pior de todas foi a mais temida de todo escalador a "tendinite".
Em setembro eu estava treinando na Academia, depois de correr 5km e ter escalado umas 2 vias, guiando um 5sup peguei mal na agarra e acabei forçando apenas um dedo ( o anular da mão direita) e na hora tive um deslocamento nas juntas com grande estralo e uma dor absurda. Isso já aconteceu outras vezes comigo e apesar da dor não achei preocupante e já fui para o tratamento normal dessas lesões "gelo". Passaram 3 dias e aquela dor não passava e mal conseguia fazer pequenos esforços como desenhar no computador (sou designer), foi então que fui ao um médico ortopedista especialista em mão. Ele era cirurgião e falou que eu tinha um rompimento parcial do tendão e teria que tratar com compressas quentes, antibióticos e uma injeção de corticóide, chegou a me assustar dizendo que se não melhorasse em um mês ele queria operar a minha mão e mexer num tal "túnel do carpo". Esse tipo de problema também afeta muito profissionais que trabalham muito com o mouse e muitas vezes só com uma cirurgia alivia a dor cronica.
Me tratei com ele durante um mês e como minha melhora foi minima, achei melhor procurar outros profissionais para me avaliar.





Realmente a lesão causou uma inflamação cronica ao qual popularmente chamam de Tendinite. Um amigo e cliente ficou sabendo do meu problema e me ofereceu fazer algumas aplicações de laser no local da lesão. Fiz algumas aplicações com ele e também comecei a fazer fisioterapia, ultra som, ondas de choque, mas depois de 2 meses o resultado foi pequeno e lento e eu já estava irritado com a situação.
Procurei outro médico e ele me propôs fazer uma infiltração de corticóide direto no tendão, mas teria que ficar pelo menos 45 dias sem fazer esforço algum. Estava tão ansioso para me curar que fiz a aplicação na hora e  foi muito doloroso, fui a academia e tranquei minha matricula por 45 dias e fiquei de molho todo esse tempo.
A infiltração foi meio radical, mas realmente me curou. Voltei a treinar, mas depois de 5 meses parado e ainda com medo de ter outra lesão não tenho feito grandes coisas.



Aproveitei esse tempo para fazer algumas caminhadinhas, ensinar meus sobrinhos "Cadu" e o "Joãozinho"  a escalar e até levei amigos e parentes para conhecer as montanhas e a escalada. Quando estou treinando  a escalada ou até o trekking não tenho paciência para ensinar ou acompanhar pessoas inexperientes. Foi um bom momento para isso.



quinta-feira, janeiro 5

Piramide Blanca

 Maciço do Condoriri
(esquerda p/ direita: Tarija 5240, Piramide Blanca 5230, Ilusionita 5150, Ilusión 5330 )


Continuando minha escalada, após ter escalado o Cerro Áustria com o Rodrigo, tive um dia de descanço e nesse dia  ele estava muito mal, com muitas dores e já era visto que ele não iria mais escalar. Mas ao final da tarde ele se animou e falou que talvez iria, com isso acabei não me planejando pra escalar com outras pessoas.
Durante a noite ele gemia e se mexia muito, ali percebi que eu não teria ele comigo. Comecei a pensar o que fazer, pois no dia apos aquele já tínhamos contratado mulas e transporte e eu não teria outra chance de escalar o Tarija. Naquela altura qualquer montanha que eu escalasse estaria ótimo, mas não escalar nenhum seria um fracasso total para mim.

Essa noite foi longa, pois não consegui dormir pensando o que fazer. Já escalei muitas vezes sozinho e  havia decido que se eu não encontrasse ninguém iria escalar o Cerro Tarija em solitário, pois sua trilha na geleira estava bem marcada. Sabia dos riscos, tenho muita experiência em trekking e escaladas em rocha, mas em gelo sou iniciante e mesmo uma travessia em geleira seria muito arriscado. Eram 6:00hs quando levantei e fui a volta do acampamento para ver de se tinha outros escaladores se preparando para escalar, mas não vi nada significante. Enquanto isso preparei um café e deixei minha mochila com meus equipos já preparado.


Geleira do Nevado Tarija, Piramide Blanca a direita


Estava tenso e falei com alguns escaladores e ninguém estava indo para onde eu queria. Até que vi duas pessoas passando pelo meio do acampamento com mochilas, nem pensei muito comprimentei-os e fui logo perguntando para onde iam. Era um homem e uma mulher e ele falou que estava indo para o Cerro Ilusión. Na hora não lembrei exatamente onde era e nem se era uma escalada muito técnica, apenas lembrei que era para o lado do Tarija e o Pequeno Alpamayo e isso era ótimo. Então sem muitos rodeios perguntei se poderia ir com eles e ele prontamente falou que não haveria problema. Ele falou para mim ir até a base da geleira que eles me esperariam lá.
Fui rapidamente pegar minhas coisas e colocar agua no meu camelbak, passei na barraca perguntar para o Rodrigo se estava tudo bem e avisar ele aonde eu estaria. Logo já estava na trilha para a base da geleira, caminhei quase correndo para alcança-los antes dela, mas o ritmo deles era muito bom e quando cheguei a base eles já estavam lá.

 Foto tirada pela manhã


Eu estava bem aclimatado e rapidamente me equipei me encordando a eles. Ali fiquei sabendo o nome dele Hugo Ayaviri  um guia boliviano e ela  Katherine uma australiana cliente dele. Hugo se comunicava bem comigo, mas ela só fala o inglês e não entendia nada de português ou espanhol. meu inglês é péssimo e falei poucas palavras com ela, mas fiquei sabendo que ela já havia escalado o Aconcágua 6962 (maior montanha das Américas),  o Elbrus 5642 (maior montanha da Europa), Ilhimani 6462 (maior montanha da Cordilheira Real e cartão postal de La Paz) e varias outras montanhas. Percebi que estava em ótimas mãos, mas será que conseguiria acompanhar o ritmo deles, pois os dois eram muito experientes.


Começando a subida da Geleira


Geleira 


Tínhamos que subir quase toda a geleira do Tarija 5240 para virar totalmente a direita e entrar numa canaleta que ia afunilando e ficando mais ingrime até chegar no col entre o Diente 5200 e a Piramide Blanca 5230. Piramide Blanca !!! Eu não estava indo para o Ilusión! Pois bem, achei que tinha escalado o Ilusión porque tanta a Katherine como o Hugo falaram que era o Ilusión, mas logo que cheguei em Curitiba olhando os mapas a localização não batia com o lugar que eu havia escalado. Achei que eu estava errado e por isso o nome era Ilusión, mas agora que estou postando a viagem pesquisei mais a fundo e realmente a montanha é a Piramide Blanca. Que erro!! Será que o Hugo não conhecia, mas tudo bem vamos continuar o relato.
Na subida que leva ao Tarija foi muito tranquilo a geleira não chega ter inclinação significativa e suas gretas a maioria cobertas ou pequenas fendas que não passavam de 20cm. Mas quando caímos totalmente para a direita a coisa complicou, a neve estava muito alta, quando pisávamos ela chegava na altura dos joelhos, aumentando assim o esforço para caminhar. Essa montanha é menos frequentada do que o Tarija e o Pequeno Alpamayo e não havia marcas de pegadas, assim deixando mais perigoso, pois ali havia gretas enormes.



 Rota já para a Piramide Blanca


 Enormes gretas nos rodeavam

 
Depois de 4 horas já vencido pelo cansaço


Chegamos a passar no lado de umas gretas abertas muito grandes, mas nosso objetivo era subir rápido e mal parávamos para olhar e tirar fotos. Os dois tinham um ritmo muito forte e ao longo da escalada fui perdendo esse ritmo e fiz com que eles parassem umas duas vezes.
Essa canaleta foi inclinando até o ponto que eu olhei para cima e estava o Hugo já de frente para o gelo cravando seu piolet e as pontas de seus grampons para escalar a parede. Na hora fiquei assustado com isso, pois eu não esperava essa inclinação e não tinha nunca feito isso. Mas não tive tempo de pensar muito, pois eles não paravam nem um pouco e logo eu estava fazendo a mesma coisa. Não achei difícil e rapidamente venci aquela parede com facilidade. Por ser escalador de rocha achei até mais fácil, pois no gelo temos os grampons e os piolets como apoio e na rocha só as mãos.

Ali já tinha ficado muito satisfeito e empolgado com a escalada, mas estava muito cansado e eles perceberam meu estado. Já estávamos escalando a geleira a quatro horas e  chegando no col o Hugo parou e começou a cavar um buraco na neve. Nesse momento vi que esse buraco era para mim, minha escalada acabaria a pouco metros do cume. Estava muito cansado e eles gentilmente deixaram ir com eles, acabei aceitando a situação sem questionar.

 Vista da Piramide Blanca  abaixo a  geleira e acima o Huallomen 5463m 

A Piramide Blanca nos seus trechos finais

 
Fiquei sentado ali, encima da minha mochila apreciando o visual e por varias vezes tirei as luvas para tirar fotos. Minha agua já tinha congelado e eu apenas tinha levado chocolates e barras de cereal para comer. Quando chegamos ali o tempo estava fechado e o Hugo até comentou que seria o motivo para me deixar ali, mas logo que eles saíram o céu de repente limpou e ficou azul, lindo!!
Fiquei esperando eles durante mais uma hora pelo menos e quando chegaram descemos imediatamente. Na descida fiquei pensando naquele trecho que tínhamos escalado e achei que iriamos rapelar. Chegando nela a Katherine se arrumou e Hugo deu uma segurança simples de corpo. A parede tinha uns 50 metros e ao invés de rapelar optaram por desescalar a parede. Eu estava no meio da corda e também já passei para parede e comecei a descer. A descida sempre é mais difícil e perigosa e para piorar a Katherine descia muito rápido e dessa forma varias vezes me puxou para baixo fazendo com que eu escorregasse alguns centímetro. Tive que gritar Stop para ela parar de fazer aquilo, mas acabou ocorrendo bem.
No trecho até a base ela parecia uma maquina, num ritmo como da subida, ela não parava em nenhum momento para descaçar. Até o Hugo estava impressionado com ela e ele me olhava e falava que ela era a Mulher Maravilha e dávamos risadas disso. Quando chegamos na base e nos desencordamos, falei para eles que queria ir com calma para o acampamento e que encontraria eles lá.

 Pequeno Alpamayo visto da Piramide Blanca


 Katherine (australiana) e Hugo Ayaviri (guia boliviano)


Eu esperando a volta de meus companheiros


Esse trecho até o acampamento é de uma hora, mas nem sei quanto tempo levei. Na minha ânsia de acompanhar eles no mesmo ritmo acabei me esforçando de mais e aqueles trechos finais foram uma tortura.
Chegando perto do acampamento as primeiras barracas eram dos Brasileiros liderados pelo David Marski. De longe vi que tinham umas 3 pessoas ali e eles também me viram e um deles começou a falar "é brasileiro, é brasileiro" esse era o David. Ele foi me recepcionar tirou minha mochila e me levou para a barraca refeitório deles. Eu estava preocupado com o Rodrigo mas o David falou que eles estavam cuidando dele e já tinham feito algumas visitas para ele e estava tudo bem.
Estava muito exausto, nunca tinha ficado daquela forma e aquela visita a eles foi ótimo. Tomei sopa quentinha com chá e me senti incrivelmente recuperado e animado, foi muito bom parar ali.
Bom, depois disso passei alguns sustos com o Rodrigo com esta descrito no meu post anterior sobre Condoriri. Também tive congelamento leve de alguns dedos da mão e isso prejudicou minha viagem, pois eu iria escalar o Huyana Potosi com seus 6080m. Essa montanha ficou para a próxima viagem!!!

 
Montanhas de Condoriri

Algumas dicas para você que quer ir para lá é entrar no site do David Marski, pois atraves dele que peguei as informações necessarias para minha viagem www.marski.org .

Guia de motanha:
Javier Carvalho (já escalou o everest) jcarvallo_contreras@hotmail.com  fone: 591-2-5281054
Hugo Ayaviri   (UIAGM ) - hugoayariri21@hotmail.com

Hotel Economico:
Hotel Torino - www.hoteltorino.com.bo - fone: 591-2-2406003

Loja de Equipos:
Tatoo - www.bo.tatoo.ws 

Aluguel de Equipos: